Nossos empreendedores nadam contra a baixa competitividade do turismo

Setor esse que é importantíssimo em geração de resultados econômicos e de empregos, e crucial para os países em desenvolvimento


17/01/2014 - UOL | Empreendedorismo

Por Rose Mary Lopes, colunista do UOL

Fim e início de ano, alta estação. Pico de viagens de lazer. A curiosidade, a busca de experiências novas, a necessidade de sair da rotina nos faz buscar novos destinos turísticos. Dentro ou fora do país.

Logicamente que a decisão para onde ir é afetada, conscientemente ou não, por uma série de variáveis. Decerto que o marketing exerce seu papel ao apresentar e construir imagens, ao despertar o interesse e o desejo do indivíduo, influenciando em suas decisões.

Vários fatores entram em jogo. Estes são apontados por um relatório mundial que se materializa sob a forma de índices de competitividade de viagem e de turismo (Travel & Tourism Competitiveness Index – TTCI), publicados pelo Fórum Econômico Mundial.

São desenvolvidos no contexto de um Programa de Parcerias das Indústrias de Aviação, Viagens e Turismo. O 5º. Relatório – de 2013 – abarcou 140 países.

Líderes, pessoas chave, empresas destas diferentes indústrias, em diversos países além de grandes empresas de consultoria, órgãos internacionais, e uma rede de 150 institutos de pesquisa no mundo todo tem cooperado para traçar este grande painel de comparação internacional.

Para focalizar as nossas colocações neste índice precisa-se dizer como ele é composto, mesmo que resumidamente.

Essa competitividade se baseia em três grandes pilares:

1. O quadro regulatório geral do setor de viagens e turismo;

2. O ambiente geral e a infraestrutura para os negócios;

3. Os recursos naturais, humanos e culturais. E, cada um destes pilares é composto por diversos fatores.

Assim, o quadro regulatório é composto por políticas, regras e regulamentações, sustentabilidade ambiental, proteção contra acidentes e segurança contra crimes, saúde e higiene e priorização do setor de turismo pelas autoridades governamentais.

Por sua vez, o ambiente geral e a infraestrutura para os negócios abarcam: a infraestrutura dos transportes aéreos e terrestres, a infraestrutura turística, a infraestrutura de telefonia, informação e comunicação, e a competitividade dos preços.

No terceiro pilar se tem os recursos humanos, composto pela educação e treinamento, assim como a disponibilidade de pessoal qualificado. Mais os recursos naturais –qualidade dos ambientes naturais, proteção e diversidade de fauna e flora e sua acessibilidade.

Os recursos culturais referem-se tanto a sítios reconhecidos como a patrimônio histórico e culturais, arenas de esporte, feiras e mostras internacionais e exportação da indústria criativa.

E, por fim, tem-se a afinidade com o turismo, ou seja, a abertura que a população mostra para os visitantes.

Todos estes fatores impulsionam ou restringem a capacidade de competir e de atrair visitantes. Pode-se já antever que são poucos os fatores que são favoráveis aos nossos empreendedores.

No geral, seus negócios são afetados por fatores que dependem muito dos diferentes níveis de governo, bem como do patrimônio natural, histórico, cultural e até da qualidade da educação ofertada para os cidadãos.

Voltando ao ranking, em 2013, o Brasil avançou apenas uma posição desde 2011. Estamos agora no 51º, seis a mais do que em 2009!

No ambiente geral regulatório, ficamos muito mal no grau de importância e nas políticas atribuídos pelo governo ao setor. Por isso, amargamos o 102º e o 119º  lugares nestes itens.

Em proteção e segurança ficamos no 73º e em saúde e higiene no 70º.

Graças ao esforço realizado na sustentabilidade ambiental, conquistamos a 30ª posição. O cômputo geral neste primeiro pilar foi a 82ª colocação.

Na infraestrutura e ambiente geral de negócios ficamos na 76ª  posição. Isto por que fomos muito mal avaliados na área de transportes terrestres (129º lugar) e na falta de competitividade de preços (126º).

Apesar de todos os nossos problemas, a infraestrutura de transporte aéreo ficou em 48º. E a avaliação dos setores de telefonia, comunicação e informação ficou em 55º e de  infraestrutura geral e de turismo em 60º.

O que ajudou a amenizar nosso vexame são os fatores soft que compõem o terceiro pilar em que ficamos com a 12ª colocação. Nossos recursos naturais conquistaram o 1º lugar e os culturais o 23º.

Depois nos situamos em 62º nos recursos humanos. Nesta categoria, a falta de qualificação de pessoal foi penalizada com o 96º lugar.

Se nos vangloriamos por recebermos bem os turistas e de estarmos abertos para recebê-los, devemos fazer nossa mea culpa e reconhecer que há países melhores do que o Brasil nesse quesito já que ficamos na 83ª posição!

Conclui-se que, a seu favor, nossos empreendedores têm somente os recursos naturais e culturais. Esses têm sido os grandes chamarizes que, apesar de tudo, ainda atraem os turistas.

Entretanto, tal como os salmões, eles lutam contra a corrente, enfrentando todos os desfavores e obstáculos criados pelos fatores em que nos situamos mal. E que afugentam os turistas domésticos e estrangeiros.

Creio que até já passou da hora. Mas, os empreendedores do setor deveriam lutar para que, neste ano de eleição, os diversos candidatos colocassem em suas agendas um trabalho sério para desatravancar o setor.

Setor esse que é importantíssimo em geração de resultados econômicos e de empregos, e crucial para os países em desenvolvimento.

Rose Mary Lopes é professora e coordenadora do núcleo de empreendedorismo da ESPM

Fonte: https://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/colunistas/rose-mary-lopes/2014/01/17/nossos-empreendedores-nadam-contra-a-baixa-competitividade-do-turismo.htm


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