Economia colaborativa avança no País

Caracterizada mais pela condição de uso e não de posse, se traduz em ações e modelos de negócios cada vez mais comuns e que estão deixando de lado a pecha de excêntricos, destinados a nichos ou a quem não tem capacidade financeira de consumo.


13/06/2016 - Diário do Comércio

Ainda considerada uma prática e um conceito recente, a economia colaborativa avança sobre os meios tradicionais de produção e consumo gerando uma nova forma de relação econômica entre pessoas, empresas e governos. Caracterizada mais pela condição de uso e não de posse, se traduz em ações e modelos de negócios cada vez mais comuns e que estão deixando de lado a pecha de excêntricos, destinados a nichos ou a quem não tem capacidade financeira de consumo. O consumo colaborativo privilegia o “uso” em detrimento às “posses”, seja por meio de troca, compartilhamento, empréstimo, locação ou doação.

Para entender esse fenômeno que se traduz em brechós, grupos de desapego, coworkings, plataformas de compartilhamento e iniciativas mais robustas como o Uber e o Airbnb, a mestrando do Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) Helena Andrade, sob a orientação do professor Marcelo de Rezende Pinto, escolheu os espaços de coworking com objeto de estudo. Por três meses, a estudante frequentou o Guajajaras Coworking, instalado no hipercentro da Capital, para estabelecer uma observação participante com o objetivo de entender as relações sociais e econômicas geradas entre os frequentadores.

“O que pude observar é que o perfil dos frequentadores é muito variável, grande parte tem profissões ligadas à economia criativa. Eles chegam lá por diversos motivos, principalmente porque é mais barato que alugar e manter um espaço próprio. Mas o que os fazem ficar é a comunidade criada, a colaboração gerada. Ali é possível acompanhar a geração de parcerias, troca de serviços, formação de sociedades”, explica Helena Andrade.

O fenômeno não parece ser mais apenas uma moda a ponto de a academia se dedicar a estudá-lo. Entender as diferentes formas de consumo é também uma forma de desmitificá-lo. “O nosso grupo estuda o consumo nas suas várias conexões. Ele é visto de uma forma pejorativa – daí o termo consumismo utilizado quase como uma ofensa – mas é uma atividade inerente ao ser humano. Ele está ligado à troca, ao meio social, e a nossa pergunta é como esses novos modelos vão alterar a nossa vida cotidiana”, destaca Pinto.

A grande perspectiva do compartilhamento é a busca por um consumo mais sustentável, que leve em conta o fator financeiro e a economia dos recursos naturais. Nesse sentido, a responsabilidade ambiental está na base da economia colaborativa.

“Os impactos são vários. Estamos ressignificando nossa forma de consumir. Antes era muito importante ter um escritório próprio, hoje não mais. Compartilhar é o novo possuir. Aos poucos as marcas estão se atentando para isso. Quando uma montadora convoca os usuários para dar palpite na criação do seu próximo modelo, demonstra que, em alguma medida, o protagonismo está mudando de lado”, destaca a pesquisadora.

Ações como a reciclagem, o reúso e o reaproveitamento tem se tornado um valor social, origem de orgulho para quem pratica. A internet é a grande ferramenta impulsionadora da economia colaborativa, já que viabiliza contatos rápidos entre pessoas que podem estar em pontos opostos do planeta.

“Aos poucos vão surgir novos modelos de negócios e os tradicionais vão se transformar. O capital está ficando cada vez mais intangível e as startups se apropriando das novidades, criando plataformas que dão suporte a esse tipo de consumo”, avalia a agora mestre.

Belo Horizonte apresenta um ambiente propício ao desenvolvimento desses novos modelos. Sede de algumas das universidades mais importantes do País e de uma comunidade de startups bastante organizada, tem se mostrado terreno fértil para novas práticas e reflexão sobre o tema. “A Capital tem um ambiente que alimenta essas novas práticas. É uma cidade que precisa buscar saídas fora do tradicional, que sejam alternativas para uma economia ainda muito fortemente baseada na produção de commodities como acontece em Minas Gerais”, completa o professor.

Fonte: http://www.diariodocomercio.com.br/noticia.php?tit=economia_colaborativa_avanca_no_pais&id=169814


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