A solução pode estar em casa

Com o trânsito caótico das grandes cidades, espaços comerciais cada vez mais caros e a busca por melhor qualidade de vida, o home office está passando de tendência a necessidade das empresas


31/07/2015 - Revista Desenvolve SP - 3ª edição - Pág. 35 e 36

O home office melhora o rendimento das empresas, mas o trabalho remoto ainda esbarra no conservadorismo

Com o trânsito caótico das grandes cidades, espaços comerciais cada vez mais caros e a busca por melhor qualidade de vida, o home office está passando de tendência a necessidade das empresas. Visto como solução por muitas companhias, o trabalho remoto permite o aumento da produtividade dos negócios, a redução de custos, o alcance de metas sustentáveis e, até mesmo, a atração e retenção de talentos. Mesmo com tantas vantagens, no entanto, o teletrabalho ainda é visto com insegurança por alguns gestores.

Segundo pesquisa divulgada pela SAP Consultoria no início do ano, apenas 36% das empresas brasileiras adotam o home office como parte estratégica de seu modelo de negócio, e os segmentos mais abertos a essa prática são os de TI, químico e petroquímico, P&D, entre outros. Das organizações que permitem o trabalho remoto, somente 42% têm uma política formal para o assunto. Dentre as que não oferecem a opção, 83% nunca tiveram a prática, 14% pensam em adotá-la e 3% já praticaram, mas desistiram.

“Entre os principais motivos alegados pelos gestores de empresas contrárias ao home office estão o conservadorismo da diretoria e o receio quanto aos aspectos legais envolvidos”, diz Armando Zanolini, consultor da SAP Consultoria. A pesquisa foi realizada com executivos de mais de 200 empresas nacionais e multinacionais de diferentes setores e regiões do País.

Mudar para ganhar

Como toda novidade praticada na empresa, o home office requer mudanças na forma de pensar dos gestores. “Trata-se também de uma relação de confiança entre líder e liderado, de olhar para resultados em vez de se preocupar se o funcionário está logo ali, ao alcance dos olhos. Quando a cultura da empresa e dos líderes é focada 100% em resultados, o home office tem mais chances de ser bem-sucedido”, diz o consultor César Souza, presidente do Grupo Empreenda.

Na Locaweb, empresa de TI e hospedagem de sites, o trabalho remoto pode ser praticado pelos profissionais das áreas de produtos, recursos humanos, financeiro, marketing e comercial. A única condição é combinar com gestor imediato. “Assim eles não precisam gastar horas e horas parados na ida e volta do trabalho. Rendem muito mais, as entregas são de maior qualidade e eles se sentem valorizados”, diz Cláudia Ajbeszyc, gerente de recursos humano da empresa.

Quanto à questão da infraestrutura, é preciso muito mais do que um computador e um telefone corporativo para trabalhar em casa. O acesso às informações da empresa é fundamental. A empresa deve permitir ao colaborador o acesso remoto a e-mails, intranet, e banco de dados, a partir de qualquer lugar.

Trabalho legal

Muitas empresas ainda resistem a aderir ao trabalho a distância por temer sua relação com a legislação trabalhista. Segundo Daniel Dias, especialista em direito do trabalho do escritório Lobo & Rizzo e Advogados, embora haja uma grande lacuna legislativa no que diz respeito à regulação de alguns assuntos relativos ao trabalho remoto, a lei não se torna fator impeditivo para as empresas que acompanham o dinamismo do mercado de trabalho e da tecnologia. “Ante a dificuldade de conseguir implementar mudanças na legislação trabalhista para que acompanhem a evolução do trabalho moderno, as empresas devem buscar, por meio de contratos individuais ou coletivos e de políticas internas, a criação de regras objetivas e claras sobre os temas acima abordados, sempre respeitando as regras gerais do direito do trabalho”, afirma Dias.

Escolha as pessoas certas

O principal receio dos gestores é perder o controle da produtividade do colaborador remoto. Mas, segundo o consultor César Souza, a presença física na empresa não significa bons resultados. “Para delegar tarefas e confiar que serão cumpridas, uma estratégia é estabelecer prazo para a entrega do trabalho final e manter o líder sempre atualizado”, diz Souza.

Para a geração Y, aquela que nasceu depois de 1980 em meio aos grandes avanços tecnológicos, equilibrar o crescimento profissional com a qualidade de vida é primordial. Portanto, empresas que oferecem apenas bons salários dificilmente conseguirão atrair ou reter novos talentos em seu quadro de colaboradores. Segundo pesquisa da Talent Puzzle, empresa de recrutamento britânica, os principais atrativos observados por essa geração ao analisar uma vaga de emprego é a oferta de horário flexível de trabalho e a possibilidade de construir carreira sem sair de casa.

Fonte: http://www.desenvolvesp.com.br/comunicacao/revista-desenvolve-sp/revista-desenvolve-sp-edicao-3/


Receba notícias e informações sobre o Canal do Empresário