7 perguntas para Sérgio Cavalcante, CEO do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife

"Uma startup nasce de uma oportunidade. Essa oportunidade pode ser a solução do problema mas também pode ser a criação de um novo mercado que nem foi pensado ainda"


29/11/2017 - Canal do Empresário

7 perguntas para Sérgio Cavalcante, CEO do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife

O mercado de startups no Brasil cresce a passos largos já há alguns anos. Porém, o país ainda está longe de alcançar todo o seu potencial empreendedor. Além disso, nem sempre começar um novo negócio significa garantia de sucesso: muito pelo contrário, um estudo realizado pela aceleradora Startup Farm – a maior aceleradora da América Latina – aponta que 74% das startups brasileiras fecham após cinco anos de existência e 18% delas antes mesmo de completar dois anos.

Os motivos para isso são os mais diversos – desde desentendimentos entre sócios até o descompasso entre proposta e interesse do mercado. Para entender um pouco mais sobre esse universo, fizemos sete perguntas para Sérgio Cavalcante, CEO do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) – um dos principais polos de Tecnologia da Informação do país.

Ph.D. em Eletrônica pela Newcastle University, Inglaterra (1997), Sérgio Cavalcante ocupa o cargo de  CEO do C.E.S.A.R. desde 2005, onde também foi Presidente do Conselho durante 3 anos. Participa como membro do conselho do Porto Digital, Amcham-PE, Pitang e Joy Street. Ele também é Diretor de Articulação com Empresas da Sociedade Brasileira de Computação.

 

1 – O Brasil tem hoje 5 mil startups de acordo com dados da Associação Brasileira de Startups. Somos um celeiro de novos negócios?
Não necessariamente. Estamos aumentando o número de startups e o Brasil começa acordar para isso, mas 5.000 startups ainda é muito pouco. O Brasil é um país de oportunidades onde a gente deveria estar trabalhando bem melhor e criando muito mais Startups para solucionar esse problemas.

2 – Na sua opinião, toda startup nasce, necessariamente, de um problema?
Não. Uma startup nasce de uma oportunidade. Essa oportunidade pode ser a solução do problema mas também pode ser a criação de um novo mercado que nem foi pensado ainda. Um exemplo é o tamagoshi, que não resolveu um problema e foi sucesso no mundo. Mas é muito mais difícil criar uma Startup que não é focada na solução de um problema. Aqui no Brasil os empreendedores têm dificuldades de observar problemas e buscar soluções – sempre querem surgir com uma ideia nova, uma ideia vinda do além e não uma solução de um problema real. O brasileiro é em geral muito criativo, mas não é inovador.

3 – Existem condições ideais para uma startup sair do papel e ir para o mercado? Qual condição você considera indispensável para o sucesso de uma startup?
Foco e perseverança.

4 – Qual o principal diferencial desses novos modelos de negócio que permitem que tenham uma taxa de crescimento exponencialmente maior do que o mercado no qual estão inseridos?
Os novos modelos estão focados em acabar com os intermediários, conectando quem produz diretamente com quem demanda. Além disso, como já existe quem produz ou executa o serviço, eles não têm que construir novas infraestruturas. Eles ofertam serviços, permitindo que eles cresçam exponencialmente, muito mais do que quem precisa criar uma estrutura. Assim eles conseguem avançar muito mais rapidamente e em escala global.

5 – Você acredita que o modelo de educação no Brasil ainda é falho no que diz respeito a preparar as pessoas para empreender? Como o estado pode contribuir para fomentar uma cultura empreendedora?
O modelo brasileiro de educação falha principalmente no ensino médio – quando os alunos deixam de ter mais liberdade para testar novas coisas, como eles tinham no Fundamental. Por conta do vestibular, no ensino médio os alunos são obrigados aprender 1.500 novos conteúdos em 3 anos. Por isso os colégios são obrigados a empurrar esse conteúdo nos alunos, fazendo com que o aluno se torne passivo, apenas recebendo informações, lendo conclusões de terceiros e não tirando suas próprias conclusões, se tornando menos analítico. Isso cria um estudante passivo que vai levar a um profissional também passivo, incapaz de observar problemas de propor soluções de forma proativa.

6 – Existe um nicho de mercado que favoreça o sucesso de uma startup? Quais segmentos de mercado são mais explorados por esse tipo de empresa?
Não acho que exista um nicho do mercado. Problemas existem em todos os lugares e oportunidades em todos os lugares.

7 – Como se manter inovador em um mercado tão dinâmico?
Não parando nunca. Não se tornando passivo nunca.


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