7 perguntas para Flávio Pripas, diretor do CUBO Itaú

"Ter apenas uma ideia não vale absolutamente nada. O que vale é um empreendedor que tem capacidade de implementar essa ideia"


08/11/2018 - Canal do Empresário

7 perguntas para Flávio Pripas, diretor do CUBO Itaú

Na contramão de qualquer tipo de crise, o mercado de startups no Brasil segue em pleno crescimento. De acordo com uma pesquisa inédita, realizada entre janeiro e março de 2017 pela Gama Academy – instituição criada para estudar e desenvolver o setor das startups – , o mercado tem aproximadamente 700 vagas de emprego disponíveis em São Paulo, em apenas 200 empresas do gênero. Esse número pode ser ainda maior se levarmos em consideração que na capital existem aproximadamente 1600 startups em funcionamento.

Para entender um pouco mais sobre esse mercado, fizemos sete perguntas para Flávio Pripas, nomeado como uma das 100 pessoas mais criativas nos negócios em 2012 pela Revista FastCompany (“FastCompany – 100 Most Creative People in Business 2012”), e diretor do CUBO coworking Itaú – um projeto de fomento ao empreendedorismo digital no Brasil patrocinado pelo Itaú Unibanco e pela RedPoint e.Ventures.

 

1 – Com quase dois anos de funcionamento, como você avalia o impacto do Cubo no empreendedorismo tecnológico de São Paulo?

Antes do lançamento do Cubo a gente começou a analisar que tipo de lacuna nós íamos preencher no mercado. Existem vários estudos que falam sobre como fomentar ambientes de inovação. Neles, cinco elementos são apontados: acesso ao talento, acesso ao capital, cultura empreendedora, ambiente regulatório e densidade.

A lacuna de mercado que o Cubo preencheu é justamente a lacuna de densidade, ou seja, um espaço físico onde circulam aproximadamente 600 pessoas todos os dias, discutindo experiência, tecnologia e novas formas de trabalhar. E nesses quase dois anos, a gente pode afirmar que que não só preenchemos essa lacuna, como também estamos fazendo a diferença na trajetória de várias startups.

Ao conectar um empreendedor com outro empreendedor, com um investidor, com universidade e governo, a gente acaba gerando muitos negócios. Já temos números próximos a mais de 200 contratos assinados entre startups e grandes empresas, gerando muitos investimentos nessas startups. Além disso, não é só na questão da densidade que a gente contribui, mas também na cultura empreendedora.

 

2 – Em maio, O Cubo lançou o 11 programas de segmentação e estruturação de negócios. Qual o objetivo dessa iniciativa?
A gente fez o lançamento desses programas para que as pessoas pudessem saber o que acontece dentro do Cubo. Apesar de já termos uma grande circulação no nosso ambiente, pensamos numa forma de organizar melhor e comunicar melhor nossas palestras, workshops, conferências, eventos e todo tipo de conteúdo que é disseminado.

Então existe, por exemplo, um programa que é o Corporate Venture, que visa conectar grandes empresas e startups. A ideia aqui é que grandes companhias podem aprender novas abordagens com startups, ferramentas e metodologias que contribuam para o processo de inovação dos seus negócios.

 

3 – Um desses programas, o ‘Woman in Tech’, visa estimular a participação de mais mulheres no âmbito do empreendedorismo e tecnologia. Você acredita que ainda existe uma hegemonia masculina nesse setor? Quais as estratégias de ação?

Existe uma hegemonia masculina sim, inclusive, essa discussão recentemente foi bastante forte por conta da participação feminina no Vale do Silício e o assunto tem sido bastante debatido. Aqui no Cubo, por exemplo, de mais de 50 empresas, a gente só tem três que foram criadas por mulheres. Então, a hegemonia existe e o objetivo desse programa – Woman in Tech – é trazer à tona a discussão prática de como a gente consegue todos os gêneros representados. Até para que a própria comunidade possa conversar e identificar o que falta para termos mais empregos na área ocupados por mulheres.

 

4 – Alguns dos programas lançados fomentam o encontro e a troca entre empreendedores – como o Brasil ao Cubo e o Open Coffee Club. Você acredita que essa é a chave para estimular o mercado?

Absolutamente! Nesse mercado você aprende que a colaboração tem um valor enorme. Principalmente para quem vira um um empreendedor digital, é uma jornada muitas vezes muito solitária. Você ter um ambiente no qual você pode trocar ideia, debater quais são os desafios e onde você pode trocar melhores práticas, ajuda no dia a dia. Fala-se muito no mercado sobre a questão da mentoria – que é você sentar na mesa para conversar com alguém que talvez tenha uma experiência e consiga te ajudar. Essas são algumas ferramentas que hoje vão ajudar o mercado a crescer.

 

5 – Você acredita que momentos de crise, como o que estamos atravessando, podem ser boas oportunidades para começar um novo negócio e inovar?

Sim, acredito que sim. O mercado de tecnologia em si, ele é um pouco deslocado do ambiente macroeconômico. Então o que acontece em um momento de crise, é que alguns segmentos de startups vão ganhar mais atenção do que outros. E essa atenção acaba acelerando o desenvolvimento dessas empresas.

O que é que faz a tecnologia? Tecnologia sempre resolve uma ineficiência, ou ela aumenta a escala de um processo, de produto ou serviço. E agora num momento de crise, foi bastante interessante acompanhar que foram startups que desenvolveram soluções para auxiliar grandes empresas a aumentar sua eficiência. Então, a crise sempre gera uma oportunidade para quem quer resolver um problema de eficiência.

 

6 – Existem diferenças entre um empreendedor que deseja começar a atuar no setor de tecnologia e empreendedores de outras áreas? Uma boa ideia basta?

Uma ideia só não é suficiente – o que é suficiente é a capacidade de evolução. Isso é a primeira coisa que a gente aprende em encontro de empreendedorismo, startups e tecnologia. Ter apenas uma ideia não vale absolutamente nada. O que vale é um empreendedor que tem capacidade de implementar essa ideia.

 

7- A velocidade com a qual empresas fracassam ou dão certo no mercado de tecnologia é, talvez, uma das características mais marcantes do setor. Menos de 5% de empresas em incubadoras conseguem manter-se ou prosperar. Como contribuir para que essas empresas tenham mais chances de dar certo?

Essa métrica é exatamente a que nós usamos no cubo. Cerca de 95% das empresas que nós estamos fomentando vão dar errado. E o que acontece para essa métrica ser tão agressiva? A gente está trabalhando com empresas que estão desafiando o mercado, estão criando produtos e serviços que nós vamos consumir de forma diferente e por isso essa métrica é tão agressiva. E a gente acha bom que seja assim, porque aquelas empresas que derem certo realmente vão mudar o mundo.

Então, a nossa contribuição é criar o melhor ambiente possível para que a empresa possa ir para o mercado, testar suas ideias, validar seus produtos e, de forma muito rápida, avaliar o impacto que ela vai ter para que ela possa continuar. E se ela não conseguir causar esse impacto, então é melhor que ela feche rápido, para que o empreendedor possa ir para sua próxima empresa com sua próxima ideia.


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