Reciclando o futuro

Empresa paulistana aposta na responsabilidade social como estratégia para os próximos anos


01/07/2016 - Revista DesenvolveSP - edição 4

Reciclando o futuro

Primos e amigos desde a infância, o administrador de empresas Christian Cury, o advogado Felipe Cury e o engenheiro Mauricio Zarzur tinham tudo para seguir cada um uma carreira diferente à frente de negócios comandados por suas famílias. Em 2014, entretanto, os inquietos e inovadores jovens decidiram que já era a hora de eles mesmos se tornarem empreendedores.

Entre as diversas possibilidades de investimento, a grande ideia surgiu das viagens que os amigos fizeram pelo mundo. Resolveram adaptar ao mercado brasileiro as maquinas de reciclagem de garrafas pet e latinhas de alumínio presentes em espaços públicos em muitos países. Nasceu assim a Triciclo, criadora da Retorna Machine, uma máquina de coleta, identificação e compactação de artigos recicláveis, gerando de volta um crédito a ser utilizado pelo usuário. Do conceito à realidade, o projeto demorou um ano para sair do papel e contou com o apoio da Desenvolve SP por meio do de um financiamento de longo prazo.

O diferencial da máquina, segundo os empreendedores, está em dois pontos: benefício ao consumidor e oportunidade de negócio para empresas. Ao se cadastrar no “Sistema Retorna Machine de Fidelidade e Recompensas”, o usuário acumula pontos em cada descarte, que podem ser trocados por produtos e serviços, semelhante a um programa de milhagem.

De acordo com as características do produto descartado, a máquina faz uma breve avaliação sobre o objeto e, dependendo do seu tipo, atribui a ele certa quantidade de pontos que podem ser trocados por abatimentos de valores nas contas de luz; crédito no Bilhete Único; por pontos do programa fidelidade de livrarias e, em breve, há a possibilidade de trocar por uma refeição no Bom Prato, a rede de restaurantes populares do Governo do Estado.

Para Felipe Cury, CEO da Triciclo, o mais importante é o resultado social do Retorna Machine. “A principal solução é trazer incentivo à população”, diz, referindo-se à conscientização ambiental do consumidor. Após o recolhimento, os materiais são acumulados e encaminhados para as cooperativas de reciclagem. Hoje são cinco máquinas em funcionamento na cidade de São Paulo. A primeira foi inaugurada em setembro de 2015, na estação da Sé do metrô, e sozinha recebe de 600 a 700 embalagens por dia. “A adesão tem sido ótima. Pela facilidade que a máquina apresenta, a fidelização é muito rápida”, diz o advogado.

Até chegar ao formato atual da máquina, os sócios precisaram fazer ajustes no conceito original do produto que conheceram fora do País. Para desenvolver o projeto, os três sócios foram até a China, onde o maquinário é produzido, e pediram para que fosse elaborada uma peça sob medida, de funcionamento intuitivo para o usuário, com telas touch screen de 42 polegadas, e capazes de fazer o reconhecimento das embalagens pela leitura do código de barras.

Além dos benefícios para o usuário, as empresas fabricantes dos materiais recolhidos podem explorar as máquinas com publicidade ou para atender setores obrigados a cuidar do retorno de embalagens. Ao exibir uma interface atraente e de fácil utilização, a Retorna tem capacidade de atingir diretamente o consumidor como instrumento de marketing indoor (quando a publicidade é inserida em espaços e lugares do cotidiano do público-alvo). Para outros negócios, como supermercados, lojas e shoppings, eles podem alugar o espaço para que as empresas fabricantes instalem uma Retorna Machine e atendam a suas necessidades legais.

Essa última questão, segundo Cury, é uma oportunidade que se encaixa perfeitamente na necessidade do mercado que precisa atender parte das mudanças na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Como advogado, sabia que tinham sido feitas algumas mudanças que poderiam ser exploradas em um acordo setorial”, diz o CEO. A lei define, entre outros aspectos, a obrigação de o fabricante se responsabilizar pelo destino final do descarte de seu produto, conhecido como logística reversa.

Por ser uma novidade com que o mercado ainda não está familiarizado, a Triciclo tem enfrentado o que considera seu maior desafio até agora: a resistência das marcas que ainda preferem investir seus recursos nas mídias tradicionais. Mas engana-se quem pensa que isso tem desmotivado os empreendedores. Pelo contrário. A meta para 2016 é ambiciosa: o trio pretende fechar o ano com 50 máquinas em operação. “Ninguém conseguia entender e analisar o potencial desse projeto, mas depois de passar por um processo de maturação, temos certeza de que esse novo modelo de negócio vai deslanchar”, diz Cury. “O meio ambiente e os usuários vão agradecer.”

Fonte: Revista DesenvolveSP – edição 4, p. 20

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