Ágeis, startups são alvo de projetos das corporações


30/10/2015 - Site Valor Econômico

Para agilizar o desenvolvimento de soluções inovadoras e fortalecer suas cadeias produtivas, as grandes corporações têm se conectado às startups. “Esse é o caminho natural. Qualquer organização de grande porte tem processos burocráticos e administrativos inerentes ao próprio negócio, que criam atritos à inovação. Por isso, é preciso fomentar o processo inovativo fora de suas paredes”, afirma Antonio Marcon, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Samsung no Brasil. A companhia vai direcionar US$ 5 milhões ao apoio de 50 novas empresas nas áreas de aplicações digitais em educação e saúde, segurança da informação, mobilidade e soluções de convergência (telefones, tablets e wearble).

O Programa de Economia Criativa da Samsung, em parceria com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos (Anprotec) e o Centro de Economia Criativa e Inovação de Daegu (CCEI), na Coreia do Sul, está selecionando até 16 de novembro oito startups para uma fase piloto. Cada projeto escolhido receberá investimento de R$ 140 mil cada e as equipes terão acesso à estrutura física para trabalho, além de mentoria. Cinco incubadoras darão suporte. “Os empreendedores que trouxerem tecnologias disruptivas e com grande potencial de mercado poderão ter aportes maiores”, ressalta Marcon.

A Samsung poderá fechar parcerias comerciais, gerar propriedade intelectual cooperada e incorporar essas novas tecnologias aos seus produtos em escala nacional ou global. A subsidiária brasileira é a única que está replicando o modelo de colaboração mais intenso com startups que é adotado pela sede da Samsung, na Coreia do Sul. Em outros países, as iniciativas são diferentes, a maioria, de aceleração.

Segundo Kyu-Hwang Yeon, vice-presidente de estratégia criativa do CCEI de Daegu, a economia coreana, baseada sobretudo nas indústrias de eletroeletrônicos, eletrodomésticos, automobilística, naval e têxtil, tem desacelerado nos últimos anos. Um dos agravantes é o câmbio. Os produtos coreanos estão mais caros no mercado do que os concorrentes japoneses, o que leva o governo a estimular a economia criativa para ampliar a competitividade.

Recentemente, houve mudanças no ambiente regulatório e os incentivos à pesquisa foram ampliados. Em um ano, foram abertos no país 19 centros de inovação. “São hubs de criatividade. Há um impulso ao ecossistema de apoio às startups”, diz. Kyu-Hwang Yeon ressalta que a Samsung e outras multinacionais, inclusive a concorrente LG, são parceiras na iniciativa, aproximando-se de startups que tenham projetos com alto potencial.

Também apostando na inovação aberta, a 3M do Brasil vai promover em dezembro a segunda edição do Innovation Day, junto com a Anprotec e o Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti). As startups poderão apresentar projetos nas áreas de novos materiais sustentáveis ou de fonte renováveis e tecnologias para áreas de segurança pessoal e saúde. As melhores iniciativas participarão de um programa de mentoria e a 3M poderá firmar parcerias comerciais. As inscrições vão até 19 de novembro.

“Temos redes de colaboração em inovação, envolvemos os colaboradores, clientes, fornecedores e universidades. Agora, buscamos as startups”, afirma Camila Durlacher, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da 3M do Brasil. Na edição do Innovation Day de 2014, a 3M se interessou por oito projetos. “Os resultados foram favoráveis. Por exemplo, umas das empresas foi parceira da 3M no desenvolvimento de uma solução para um cliente”, diz Camila.

Fábio Kiyan, coordenador de estratégia tecnológica da Embraer, afirma que a empresa está atuando para captar inovação de pequenas e médias empresas e mantém programas para estimular o empreendedorismo entre os jovens. “Hoje, os mercados estão muito voláteis. Há crises e rupturas tecnológicas. As grandes organizações têm de mudar a forma de interação com o mundo, desenvolver adaptabilidade contínua. As PMEs têm boas alternativas”, diz.

No ano passado, a Embraer lançou um fundo de investimento em participações para o setor aeroespacial de R$ 131, 3 milhões, em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP) e a gestora Portbank. O objetivo é fortalecer as PMEs inovadoras em sua cadeia produtiva.

Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/4293640/ageis-startups-sao-alvo-de-projetos-das-corporacoes


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