Por que investir em inovação?


28/10/2013 - Desenvolve SP

Empresas inovadoras impulsionam a economia e São Paulo é o Estado que oferece mais condições para novidades

Empresários com ideias inovadoras nunca tiveram tanto espaço para se desenvolver como agora. Investidores internos e externos têm demonstrado cada vez mais interesse, fundos estão sendo criados para investir em empresas tecnológicas, bancos e agências de fomento desenham linhas especiais para ajudar a deslanchar esse tipo de negócio. Especialistas são unanimes em afirmar que esse é o momento das empresas fazerem a diferença e serem mais eficientes e inovadoras.

Quem investe em aprimoramento tecnológico, desenvolvendo novos produtos ou processos, cresce e lucra mais. A Proxis Contact Center é um bom exemplo desse tipo de iniciativa. Apostando na inovação, a empresa de telemarketing, localizada na cidade de São Paulo, se destacou num setor dominado por grandes multinacionais. Com o uso de todos os canais de comunicação possíveis para prestar atendimento aos clientes de seus clientes e incentivando o trabalho remoto, ela ganhou terreno para crescer.

Com a nova estratégia de negócios, o diretor-executivo da empresa, Jimmy Cygler, teve a certeza de que precisava investir em tecnologia e adaptar as instalações para se preparar para a expansão. Ao procurar linhas de financiamento, encontrou na Desenvolve SP as melhores condições.

Menos de três anos após o investimento, a Proxis cresceu mais de 70% em vendas e a previsão para 2013 é aumentar o faturamento em 100%. “Nosso crescimento foi consequência direta do investimento que fizemos. Se não tivéssemos investido em tecnologia, certamente nossa sobrevivência teria sido colocada em risco”, afirma Cygler. O quadro, que era de 270 colaboradores, hoje já passa de mil.

Inovar criando produtos, mesmo que isso signifique mudar o foco do negócio, também pode ser uma boa estratégia. Por mais de 25 anos, a Disoft, empresa paulistana de Tecnologia da Informação (TI), ofereceu apenas serviços específicos para o mercado financeiro. Em 2010, no entanto, decidiram ampliar a atuação e passaram a focar em soluções de gestão empresarial, que incluem até terceirizar setores inteiros de tecnologia da informação de empresas de médio porte.

Segundo o sócio e diretor da Disoft, Alexandre Corigliano, ele só conseguiu implantar as mudanças que precisava quando procurou a Desenvolve SP. Com um financiamento que se encaixou no planejamento, a companhia abriu mais quatro unidades, o número de funcionários saltou de 70 para 145 e os novos produtos respondem hoje por 45% de todo o faturamento da empresa.

Apoio para inovar

Para ampliar ainda mais o alcance das linhas de crédito de longo prazo para quem está disposto a gerar novidades em produtos e serviços, a Desenvolve SP lançou o Programa São Paulo Inova com o objetivo de apoiar empresas paulistas de base tecnológica em estágio inicial ou em processo de expansão. O Programa é composto por três linhas de crédito, com juros a partir de zero, subsidiado pelo Governo do Estado, e um Fundo de Investimento, o Inovação Paulista, com capital de R$ 100 milhões.

O Fundo conta com a parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Corporación Andina de Fomento (CAF). Entre as ciências que serão contempladas pelos investimentos estão, preferencialmente, a nanotecnologia, fotônica, ciências da vida e TI.

Outra iniciativa do Governo do Estado que está mudando a forma de investir em inovação é o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec). São espaços onde instituições públicas e privadas desenvolvem soluções tecnológicas para atender às necessidades de mercado. Um ambiente formulado para estimular e gerenciar o fluxo de conhecimento e de tecnologias entre universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento e empresas. Em São Paulo já são 27 iniciativas, sendo cinco já instalados.

“Há uma consciência mais disseminada de que temos de buscar inovação”, afirma Horácio Aragonés Forjaz, diretor-geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos. Instalado em março de 2006, o PqTec – SJC foi o primeiro formalizado em São Paulo.

Anjos

Outros importantes atores no incentivo à inovação e que estão cada vez mais apostando em startups paulistas são os investidores-anjo. São pessoas ou empresas dispostas a apostar dinheiro em projetos iniciantes com potencial de gerar alta rentabilidade. Gigantes como a Apple, Microsoft, Google e muitas outras, nasceram como startups e puderam crescer graças a esses aportes financeiros. Um negócio inovador e de sucesso pode nascer de uma boa ideia, amparada por um plano de negócios bem estruturado.

De acordo com Cássio Spina, do Anjos do Brasil, o investidor-anjo é muito estratégico no apoio a uma empresa. Além de aportar dinheiro no negócio, ele pode acompanhar e ajudar o empreendedor com sua experiência e rede de contatos. Um investidor-anjo coloca de R$ 50 mil a R$ 100 mil em uma startup. “Recomenda-se que ao pleitear financiamento o empreendedor tenha pelo menos um protótipo ou prova de conceito de seu produto”, diz.

Na lanterna

Apesar das boas iniciativas paulistas e da crescente oferta de dinheiro no mercado, em termos de inovação tecnológica, o país ainda está na retaguarda. De acordo com o ranking da IMD Foundation Board (World Competitiveness Yearbook), um dos indicadores mais respeitados sobre o assunto, o Brasil ocupa o 46º lugar em inovação, atrás de países como Chile, Índia, México, Peru e Malásia.

Fernando de La Riva, diretor executivo da Concrete Solution, consultoria especializada em desenvolvimento de negócios digitais, e especialista em inovação, considera que o excesso de burocracia ainda inibe o investidor. “São leis trabalhistas antiquadas, estrutura tributária pesada e uma base de talentos – principalmente nas áreas de tecnologia e computação – muita fraca”, diz.

Para o empresário, ainda existe uma característica cultural brasileira que atua como grande limitador de nossa capacidade de inovar: a punição do erro. “Se uma empresa quebra, o que é comum, principalmente quando se testam novas formas de negócio, a legislação é duríssima com o empreendedor. Então, ele prefere não inventar nada.”, afirma Riva.

Fonte: Revista Desenvolve SP 1ª edição p.12


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