Planejamento e disciplina garantem sucesso à Novo Mel


13/10/2016 - Site DCI Online

Na década de 1980, o livro Sugar Blues, de William Dufty, engajou milhões de leitores na cruzada contra os malefícios provocados pelo açúcar na alimentação do homem civilizado. A professora Beatriz Pamplona, física nuclear, foi uma das que levaram ao pé da letra a tese de que devemos criar os filhos longe do que o autor qualifica de veneno branco. Só que ela não se limitou a eliminar o produto de sua cozinha e decidiu ir além. O plano era criar abelhas para produzir o mel mais puro para alimentar sua família. Começava a Novo Mel, uma das maiores exportadoras do produto para mercados como China, EUA e Canadá.

Apaixonada por inovação, Beatriz acabou se especializando na produção de mel, fazendo dele tema de suas teses de mestrado e doutorado. A qualidade dos produtos era tal que chegou aos ouvidos de um empresário japonês, que lhe pediu para criar uma empresa e, assim, exportar própolis para o Japão. Foi assim que, formalmente, em 1994, a família começou a abrir a empresa. Mas a crise econômica que atingiu aquele país no fim da década fez com que as exportações caíssem, obrigando o jovem negócio a se voltar para o mercado interno. Só em 2004, com a entrada de Carlos Rehder, um dos filhos da professora Beatriz, na empresa, uma estratégia de exportação foi planejada e implementada para valer.

“Na época em que eu entrei, levávamos 35 dias úteis para encher um contêiner com 10 mil a 12 mil unidades de potes de mel”, lembra Rehder. A empresa, nesse momento, ocupava um espaço de 150 metros quadrados no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo. “Logo na sequência fechamos contratos com importadores da China, Dubai e Cingapura e vimos que precisávamos de uma nova fábrica”, conta. Começava naquele momento uma longa jornada que ocuparia os próximos sete anos de operações.

“Primeiro, compramos um terreno com capital próprio, da família, para montar a nova fábrica que atendesse às necessidades de expansão da produção”, diz. “Tentamos um empréstimo junto ao BNDES, mas eles não concordaram com alguns detalhes do projeto e recusaram nossa proposta.” Ao mesmo tempo, o irmão de Carlos, Eduardo Rehder, havia entrado com um pedido de financiamento junto à Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista, que acreditou na empresa.

O apoio da agência e o planejamento rigoroso do passo a passo da empresa nessa mudança complicada renderam bons frutos: hoje, a Novo Mel produz de 5 a 10 toneladas mensais, chegando a 15 toneladas nos meses em que exporta, em geral a cada bimestre. Com mais de cem produtos registrados em suas linhas de produção, está não só nos mercados já citados, como também no México, Egito, Japão e Angola. “Estamos agora abrindo os mercados da Indonésia e da Grã-Bretanha, para o qual precisamos de uma certificação específica”, acrescenta Rehder.

A meta da empresa para os próximos cinco anos, segundo Rehder, é chegar a encher 30 contêineres mensais. “Em 12 meses, pretendemos chegar a um contêiner a cada dois dias e, em cinco anos, a dois contêineres diários”, contabiliza. Com esse tipo de visão e estratégia, a Novo Mel multiplicou seu faturamento em 20 vezes desde 2004, mas Rehder acha que o crescimento foi lento e projeta, em 5 a 10 anos, registrar aumento de mais 25%.

O segredo desse sucesso está, garante Rehder, no planejamento. “Temos um planejamento anual e um de longo prazo. Criamos um conselho familiar para a gestão estratégica da empresa e tudo é revisado anualmente. Além disso, investimos constantemente em pesquisa, com desenvolvimento de biotecnologia, o que, temos certeza, nos permitirá crescer conforme nós planejamos.”

Fonte: http://www.dci.com.br/planejamento-e-disciplina-garantem-sucesso-a-novo-mel-id580500.html


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