Como inovar: estratégias e habilidades


21/11/2018 - Martha Gabriel

Conforme a velocidade de transformação no mundo aumenta, cada vez mais as organizações compreendem que inovar constantemente é fundamental para o seu sucesso  e que o risco de não inovar tornou-se maior para o negócio do que o risco inerente à inovação. Segundo o estudo IBM Global C-suite Study, a busca da inovação como estratégia contínua é uma das principais prioridades dos CEOs das empresas mais bem-sucedidas, confirmando, assim, a consciência sobre a importância da inovação no cenário atual.

No entanto, falar de inovação é uma coisa, inovar é outra, bem diferente e bem mais difícil. Apenas SABER o que precisa ser feito (inovar) não é suficiente – para se obter resultados, é preciso também FAZER!  Nesse sentido, existem quatro etapas essenciais para se realizar qualquer coisa: 1) saber o que (what) é necessário fazer; 2) porque fazer (why); 3) quando fazer (when) e 4) como fazer (how). No nosso caso, já temos definidas as três primeiras respostas: o “que” (inovar), o “porque” (aceleração da mudança) e o “quando” (imediata e continuamente). Assim, a questão que permanece é o “como” inovar. Vamos a ela.

A inovação é alavancada por duas forças motrizes: estratégia e cultura. Elas são tão essenciais para a inovação quanto o corpo e a alma são vitais para o ser humano. A estratégia é o corpo da inovação, a cultura é a sua alma. Elas são interdependentes. Nenhuma inovação sobrevive apenas com uma delas. Estratégia sem cultura é um corpo sem alma. Cultura sem estratégia é uma alma desgovernada, que não consegue se manifestar em resultados.

Estratégias de Inovação

Em termos de estratégia, existem inúmeras metodologias de inovação que podem ser utilizadas, como, por exemplo, o Design Thinking e Crowdsourcing, que são as estrelas estratégicas da atualidade. A metodologia ideal para uma organização é aquela que melhor se adapta às suas necessidades. Por exemplo, sistemas de engenharia podem requerer metodologias específicas para inovação, diferentes das aplicadas em desenvolvimento de serviços ou processos de comunicação. No entanto, de forma geral, pode ser utilizada a metodologia que apresentei no TEDx “Da Criatividade à Inovação” , que descreve os passos essenciais para inovar. É importante lembrar que sem se estabelecer uma metodologia que organize os processos para inovação, não se consegue implementar a inovação de forma sistêmica em uma organização. Em outras palavras, a metodologia é a ferramenta que permite que a inovação se incorpore no DNA da empresa, se replicando em seu sistema, por todos os seus órgãos. Sem isso, podemos até conseguir obter algumas ações de inovação brilhantes resultantes de iniciativas isoladas (de pessoas ou departamentos), no entanto, sem método, não conseguimos replicá-las para toda a organização

Além da sistematização da inovação, a ferramenta/metodologia também exerce um papel fundamental na transformação do modelo mental das pessoas, e, consequentemente, da organização em que essas pessoas atuam. O visionário pensador Buckminster Fuller dizia que:

“ Se você quer ensinar as pessoas uma nova forma de pensar,
dê a elas uma nova ferramenta, cujo uso conduza a novos modos de pensamento. “

A ferramenta, no caso da inovação, é a metodologia estratégica — o método modifica o pensamento, que por sua vez, modifica novamente o método, em um processo contínuo, que refina e catalisa a inovação. Assim, como a metodologia transforma a mentalidade, o uso de um método de inovação acaba impactado diretamente também a cultura da organização. O método, assim, transforma a cultura, que se modifica e transforma novamente o método, por meio de um processo que se refina e evolui constantemente. Assim, vemos que inovar está muito mais relacionado com EVOLUÇÃO do que com revolução.

Por isso que em comunidades com grande concentração de pessoas, grupos e empresas que praticam constantemente a inovação — como no Vale do Silício, por exemplo – cria-se um ecossistema que estabelece um círculo virtuoso que resulta em uma evolução marcante da inovação. A transformação de mentalidade (cultura) passa a acontecer de forma mais intensa em todo o ambiente, criando um “sistema operacional social”  de [estratégias + cultura], que favorece ainda mais os processos de inovação.

Cultura de Inovação

A outra força motriz da inovação, a cultura, é o fator que pode tanto alavancar quanto matar a estratégia. Não existe metodologia, processo, sistema que resista a uma cultura contrária. Peter Drucker, o pai da administração moderna, dizia que “a cultura come a estratégia no café da manhã”. Por isso, muitos projetos excelentes são engavetados e muito sistema computacional não consegue ser implementado nas organizações. Dessa forma, se quisermos que a inovação realmente aconteça, precisamos garantir a existência de uma cultura que apoie e fomente os valores, crenças, atitudes que alavancam a inovação.

No entanto, a mudança de cultura é um dos maiores desafios que as organizações enfrentam, pois enquanto a estratégia é uma “intenção” que pode ser planejada rapidamente por um grupo pequeno de pessoas, a cultura é um “modo de pensamento e ação” compartilhado por todos. Para promover a mudança, a intenção precisa contaminar esse modo de pensamento e ação, e isso é um processo mais lento. Algumas características fundamentais de culturas inovadoras são: pensamento crítico, criatividade (com espaço para o erro), experimentação, resiliência, conexão, colaboração, diversidade, incentivo para questionamento e troca de ideias, entre outros.

A verdadeira cultura de inovação valoriza perguntas corretas, mesmo que não se tenha respostas ainda para elas, ou mesmo que as respostas ainda sejam erradas (processo de tentativa e erro). Por isso é tão importante a existência da metodologia estratégica que auxilie no processo de transformar as perguntas em novos processos que gerem valor. Infelizmente, a cultura dominante na maior parte das empresas, ainda valoriza mais as respostas corretas, que muitas vezes são soluções de processos já conhecidos, antigos, e que, portanto, não resultam em novos valores e não favorecem a inovação. De nada adianta ter respostas corretas para perguntas erradas. Fazer certo as coisas erradas é o modo mais rápido de fracassar.

A questão da cultura organizacional é tão crucial para a inovação, que um estudo recente da Delloite no Reino Unido aponta que a reestruturação completa da organização está entre as principais prioridades para 92% das empresas.

Fazendo acontecer

Concluindo, então, [estratégia + cultura] são os caminhos de “como” inovar. Já sabíamos também “o que” fazer (inovar), “quando” (imediata e continuamente) e “porque” (aceleração da transformação no mundo). Dessa forma, completamos o que é necessário SABER para que a inovação aconteça. Agora só nos resta FAZER. Mãos à obra!


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