Como escolher uma aceleradora?


21/08/2015 - Por Felipe Matos - Portal da PEGN - 18/8/2015

O surgimento das aceleradoras no Brasil trouxe um novo caminho para empreendedores que estão iniciando seus negócios. A aceleradora traz direcionamento, espaço físico, networking e capital inicial para a nova empresa em troca de uma participação acionária minoritária, geralmente entre 10% e 20% das ações da empresa.

Já tive oportunidade de acompanhar centenas – talvez milhares – de empreendedores na decisão de escolher uma aceleradora. E, muitas vezes, percebi que ela era tomada a partir das premissas erradas.

O mais comum é o empreendedor avaliar sua decisão baseado na quantidade de dinheiro investida pela aceleradora versus a participação acionária demanda.

Esse raciocínio até faz sentido, se o único valor aportado pela aceleradora for o do investimento. Acontece que aceleradoras não são meros investidores (e mesmo os bons investidores não aportam apenas dinheiro em seus investimentos).

Em outras palavras, provavelmente o menor valor aportado por uma aceleradora é o investimento financeiro. Ele é geralmente bem pequeno e serve principalmente para cobrir os custos básicos de vida do time de empreendedores durante o período de aceleração. Em algumas, como é o caso da Startup Farm, ele é feito posteriormente ao programa de aceleração.

Por isso, se você colocar o dinheiro como principal fator de decisão sobre aceleração, estará tomando a decisão errada. A métrica que importa aqui é a valorização do seu negócio, ou seja, quanto aquela aceleradora vai alavancar o negócio, aumentando seu potencial e suas chances de sucesso.

Imagine o caso: um empreendedor foi para a Aceleradora A, que investiu R$ 100 mil por 5% do negócio, enquanto outro optou pela Aceleradora B, que investiu R$ 40 mil por 10%. Quem fez o melhor negócio?

Agora pense que na Aceleradora A o empreendedor recebeu espaço físico e algumas mentorias, conheceu algumas pessoas, melhorou um pouco a estratégia, mas terminou o processo sem uma mudança muito significativa. Já na aceleradora B, o outro empreendedor encontrou o co-fundador técnico que buscava há tempos, conheceu vários parceiros de negócios, abriu portas em 2 grandes clientes, sendo que um deles já começou a testar o produto. Durante o processo, conheceu um de seus mentores, que se tornaria seu primeiro investidor.

No Demo Day, teve visibilidade nacional,  o que ajudou a crescer a base de usuários e aumentar a credibilidade do negócio, além de iniciar conversas com um importante fundo de investimentos, com quem a aceleradora está ajudando na negociação. E agora? Quem seu deu melhor?

Não estou falando para desconsiderar o fator financeiro, mas para considerar como tão ou mais importantes outros fatores como: qualidade do programa, rede de mentores e parceiros, reputação, capacidade de acesso a potenciais clientes estratégicos e investidores. Antes de iniciar uma aceleração, avalie esses fatores com cuidado.

Outra boa dica é conversar com outros empreendedores que passaram pelo processo de aceleração e colher a opinião real de quem viveu aquilo e conhece suas vantagens e pontos falhos.

Finalmente, lembre-se de que, por melhor que seja uma aceleradora, ela não irá empreender por você. Boas aceleradoras dão ferramentas, abrem portas e facilitam o caminho, mas toda a condução do negócio ao sucesso depende essencialmente de você e do seu time. Boa jornada!

Fonte: http://revistapegn.globo.com/Colunistas/Felipe-Matos/noticia/2015/08/como-escolher-uma-aceleradora.html


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