A Era da Inovação: porque inovar é fundamental na Era Digital


10/10/2018 - Martha Gabriel

Se você tivesse que escolher apenas uma palavra para definir o momento em que vivemos hoje, qual seria ela — mudança, tecnologia, digital, transformações sociais, ou alguma outra? Na minha opinião, a palavra que realmente caracteriza a nossa era é “velocidade”. Quase tudo pelo que estamos passando atualmente — mudanças, tecnologia, transformações sociais –, já existia também no passado. Desde o início da história da humanidade, as novas descobertas tecnológicas de cada tempo têm reconfigurado o mundo de então, reestruturando as suas sociedades, criando e extinguindo civilizações. Nada disso é novidade. A nova e decisiva variável na equação da história humana hoje é a velocidade vertiginosa com que tudo isso acontece.

Uma das primeiras pessoas a perceber que a velocidade de mudança no mundo estava acelerando foi o brilhante arquiteto visionário Buckminster Fuller nos anos 1980. Em seu livro “Caminho Crítico”, ele descreve a curva de crescimento do conhecimento da humanidade a partir do ano 1dC. Para o conhecimento dobrar pela primeira vez, foram necessários 1500 anos. A segunda vez que o conhecimento dobrou foi em 1750, levando, portanto, 250 anos para isso (seis vezes menos tempo do que na primeira vez). O ritmo foi acelerando de forma que em 1900, o conhecimento humano dobrava aproximadamente a cada 100 anos e no final da 2a Guerra Mundial passou a dobrar já a cada 25 anos. Hoje, estima-se que o conhecimento humano dobre a cada ano com previsões de que até 2020, esse ritmo seja a cada 12 horas!

Esse aumento da velocidade da mudança ao longo da história da humanidade está intimamente associado aos avanços tecnológicos durante a nossa evolução e desenvolvimento. TECNOLOGIA, INFORMAÇÃO e INOVAÇÃO são os elementos fundamentais do círculo virtuoso que provoca a evolução e a sua aceleração.  Vejamos: novas tecnologias criam melhores fluxos de comunicação na humanidade, que por sua vez fomentam os processos de colaboração para inovação, que por sua vez permitem a criação de tecnologias mais poderosas, que mais rapidamente melhoram os fluxos de comunicação, reiniciando o círculo de forma mais acelerada.

Qual são as consequências disso para nossas vidas e negócios? Profundas, porque tudo o que aprendemos no passado fica obsoleto cada vez mais rapidamente e tudo o que estamos acostumados a fazer tende a não dar mais resultados!

Até o final do século XX, a informação era cara, escassa, de difícil acesso e demorava algumas décadas para mudar, e assim, permanecia útil e valiosa por toda a vida profissional de um indivíduo. Quem tinha informação, tinha poder. Business Intelligence tinha a ver com obter informações estratégicas, pois elas duravam longos períodos e eram o combustível do diferencial competitivo das organizações. A sociedade e o mercado giravam em torno disso e, consequentemente, vivíamos a Era da Informação. Até então, apesar da aceleração da mudança já estar acontecendo, ela ainda era lenta e pouco perceptível durante o ciclo de vida das pessoas e empresas, causando pouco impacto sobre elas.

No entanto, no início do século XXI, a velocidade da mudança acentua-se mais rapidamente associando-se com a disseminação da internet (e principalmente com a popularização da banda larga) inaugurando a Era Digital. Isso fez com que a informação se tornasse gradativamente mais acessível, abundante, barata e rapidamente descartável. A partir de então, o ritmo vertiginoso de transformação no mundo passa a reestruturar constantemente a sociedade e começa a ser perceptível na vida das pessoas. Nesse contexto, apenas possuir informações não consiste mais em vantagem competitiva, pois elas mudam a cada momento e são disponíveis para todos. O diferencial passou a ser a extração de resultados das informações que mudam o tempo todo, para solucionar os novos problemas que se apresentam continuamente e para criar, detectar e aproveitar as novas oportunidades proporcionadas em cada novo contexto mutante.

Ou seja, o poder no mundo hoje passou a ser a capacidade de se fazer constantemente algo novo em situações inéditas para se resolver problemas e criar oportunidades. Assim, o polo de poder se deslocou daqueles que tinham informação para aqueles (pessoas e organizações) que têm criatividade para criar soluções novas e implementá-las em cada novo cenário que se apresenta. Esse processo de aplicar a criatividade para geração de valor é o que chamamos de inovação. Portanto, no contexto atual, apenas os indivíduos e organizações que têm a capacidade de inovar continuamente conseguem competir nesse mundo em constante transformação. Aqueles que não inovam, tenderão a perecer e desaparecer, enquanto que os que trilharem os caminhos da inovação tendem a progredir e conquistar cada vez mais sucesso. Com isso, entramos em uma nova era na história da humanidade, regida por uma nova lógica de mundo fundamentada na criatividade, conectividade, flexibilidade, efemeridade e resiliência — a Era da Inovação.

É importante observar, entretanto, que o ritmo acelerado de mudança (alavancada pelo trio tecnologia-informação-inovação) impacta o mundo em diferentes graus, como mostra a figura a seguir.

A tecnologia estabelece a aceleração impondo o ritmo da mudança, no entanto, ele é absorvido mais rapidamente pela sociedade (cultura) do que pelos ambientes de negócios (empresas). Esse fenômeno é um alerta que acentua ainda mais a importância e necessidade da inovação constante nas organizações — para conseguir vencer a diferença de velocidade de mudança e acompanhar o mercado, as empresas precisam instaurar e manter uma cultura de inovação em seu DNA e estabelecer processos para que ela aconteça.

Entretanto, o grande desafio que enfrentamos para inovar é que aprendemos a viver e trabalhar no passado, com uma lógica de mundo totalmente diferente da que se apresenta hoje. Para adquirir as habilidades necessárias para o cenário atual — criatividade, conectividade, flexibilidade, efemeridade e resiliência – precisamos desancorar nossa educação e valores do passado para conseguirmos navegar o presente e o futuro nosso de cada dia.

“Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler ou escrever,
mas aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender.”  
– Alvin Toffler


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