3 oportunidades para inovar no segmento de logística


12/11/2015 - Revista PEGN

Mais do que espaço, há necessidade de inovação no setor de logística do país. É o que garante André Duarte, professor de Operações e Logística do Insper. O panorama geral não deixa dúvidas. De acordo com dados levantados em julho deste ano pela Fundação Dom Cabral (FDC), as empresas instaladas no território brasileiro perdem cerca de US$ 80 bilhões ao ano por causa de problemas enfrentados pelo setor.

Além da falta de investimento governamental, a economia é refém de uma matriz de transporte desbalanceada, na qual o modal rodoviário é predominante, inclusive para transportes de longas distâncias e mesmo com pouco mais de 10% das rodovias pavimentada, o que torna o modelo custoso.

Outro grande problema está relacionado à defasagem tecnológica, responsável, entre outras coisas, por diminuir o índice de rastreamento de cargas, inviabilizar a integração de sistemas e dificultar a previsão de demanda.

“Os problemas de infraestrutura do Brasil afetam muito mais o grande empresário, mas é justamente aí que as PMEs conseguem enxergar a oportunidade de atuar onde ninguém mais consegue”, acredita o especialista do Insper. A seguir, ele destaca três áreas com oportunidade para inovação:

1. Tecnologia
Pesquisas e desenvolvimento de sistemas informatizados ajudam a reduzir os custos em vários aspectos, de transportes de cargas à estoques. Segundo Duarte, a rápida troca de informação de ponta a ponta da cadeira facilita a tomada de decisão e gestão de risco, especialmente em relação ao e-commerce, cujo modelo de negócio pressupõe entregas mais rápidas, muitas vezes feitas em poucas horas após a compra.

“Já tem empresa em usar drones, por exemplo. Há também quem opte por etiquetas inteligentes RFID e soluções com internet das coisas, que permitem rastrear todos os passos do material, o que reduz os custos e aumenta a segurança”, afirma o professor. A tecnologia também pode ser aliada na hora de entender o cliente a qual se destina o produto, já que por meio de dados sobre a entrega, é possível saber como e o que o consumidor compra.

2. Meio ambiente
Com o aumento de empresas que focam em sustentabilidade, também cresce a necessidade de soluções que focam em distribuições mais verdes. “Não é coerente que uma empresa especializada em produtos orgânicos faça entrega com caminhões que poluem, por exemplo. E isso acontece muito, já que nem sempre ela tem opção logística mais sustentável”, explica Duarte. Em tempos em que as pressões de consumidores e fornecedores aumentam para que as empresas foquem em produtos mais sustentáveis, quem pensar em opções que atendam este público pode ter muito espaço. “É uma tendência que cresce bastante fora do país, especialmente nos Estados Unidos”, diz.

3. Especialização
O crescimento do e-commerce e a difusão do uso de smartphones garantiu que empreendedores tenham compradores de todas as regiões do país, mesmo nas mais remotas. Um estudo conduzido pelo próprio André Duarte, no Insper, analisou como as empresas solucionavam as dificuldades de entrega de mercadoria em favelas do Rio de Janeiro.
“Entrar em uma favela é difícil não só pelo risco, mas também porque não há números nas residências e as ruas são confusas. É uma questão muito particular do Brasil e difícil para as empresas”.

O estudo verificou que os grandes, como a Sedex, não conseguem fazer entregas nestas regiões e precisam recorrer à parceiros, ou seja, pequenas empresas que se especializam neste tipo de entrega. “Eu preciso entregar um produto no meio da floresta Amazônica, por exemplo. Quem me oferece uma solução completa para isso? Tem tudo a ver com economia compartilhada também, que apesar de ter aumentado por causa do Uber, ainda é pouco explorada pelo setor”, afirma Duarte.

Fonte: http://revistapegn.globo.com/Banco-de-ideias/Infraestrutura/noticia/2015/11/3-oportunidades-para-inovar-no-segmento-de-logistica.html


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