Como a moda ajuda a alavancar a economia criativa em SP


01/06/2015 - Revista FFWMAG - edição 40

Por Leonor Bueno

Fazem parte da economia criativa empresas que transformam ideias em produtos e serviços. Considerando as atividades relacionadas e de apoio ao núcleo criativo, a parcela da cadeia da indústria criativa no PIB pode superar 18% no país, segundo estudo anterior da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que vem mapeando a indústria criativa desde 2008.

Nesse segmento, vale destacar o São Paulo Fashion Week, que, em 2015, comemora 20 anos de história. O evento hoje está entre as cinco maiores semanas de moda do planeta. Com duas concorridas edições anuais, contribui cada vez mais para o desenvolvimento econômico do país. Moda é desejo e também negócio, renda, emprego. Moda é um dos principais setores da chamada economia criativa. No Estado de São Paulo, iniciativas nessa área seguem ganhando corpo e solidez, tanto na esfera dos negócios e grandes eventos como nas políticas públicas.

Levantamento realizado em 2014 com 250 mil indústrias criativas no Brasil aponta que o Estado de São Paulo reúne o maior contingente nesse mercado de trabalho. São 349 mil profissionais com vínculo formal – ou 39% do total de brasileiros que atuam em indústrias de quatro grandes áreas criativas: consumo, cultura, mídias e tecnologia. Estudo de 2011 já mostrava que a indústria criativa paulista representava 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) – acima da média brasileira, de 2,6%. Em 2013, essa indústria somou um PIB de R$ 129 bilhões. Desse total, cerca de R$ 50 bilhões são gerados em terras paulistas.

Esses percentuais se tornam ainda mais significativos porque São Paulo lidera a geração de riquezas no país. Os dados mais recentes por unidade da federação divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam participação de 32% do estado no PIB nacional, com R$ 1,408 trilhão em 2012. No ano passado, segundo a Fundação Seade, o PIB paulista atingiu a marca de R$ 1,589 trilhão.

A adoção de estratégias voltadas para estimular a produção criativa, da tecnologia à moda, passando pela inovação e pesquisa, tem impacto positivo nesses números. E poderão representar ainda mais, segundo Márcio França, vice-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI). Ao assumir a pasta, ele colocou a economia criativa entre as prioridades.

“Temos muitos talentos atuando na economia criativa e enorme potencial para crescer. Muitos ainda não têm uma atuação formalizada e carecem de apoio para se capacitar e encontrar espaços no mercado. Por outro lado, temos iniciativas, como o São Paulo Fashion Week, que se transformaram em um momento de consagração de toda uma cadeia baseada na criatividade.” Para França, além de projetar a moda brasileira para o mundo, o evento funciona como uma inspiração para muita gente talentosa começar numa atividade que gera empregos e qualidade de vida. De acordo com o estudo da Firjan, o segmento de moda emprega 62.700 profissionais criativos no Brasil, o que representa mais de 28% de todos os empregos criativos na área de consumo. Essa indústria também favorece o crescimento de negócios nas áreas audiovisual, editorial, entre outras.

Capacitação e pesquisa

Para estimular a economia criativa, o Governo do Estado mantém uma estrutura sólida e de atuação abrangente na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que vai da qualificação de profissionais por meio do Centro Paula Souza (218 Etecs – Escolas Técnicas e 64 Fatecs – Faculdades de Tecnologia estaduais) à pesquisa de ponta desenvolvida com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp). Os orçamentos anuais de ambas instituições superam a casa de R$ 1 bilhão. A Fapesp, por exemplo, tem um repasse anual de 1% da receita tributária do estado. Além dos recursos e de sua gestão, a atenção às demandas sociais e empresariais e a realização de parcerias explicam boa parte do êxito das ações nessas áreas.

Artesanato e inovação

Com o objetivo de viabilizar a capacitação de artesãos em todo o estado e a agregação de valor a essa produção, o programa Via Rápida Emprego, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, também tem uma unidade móvel para cursos em técnicas artesanais, ação que reúne o Centro Paula Souza e a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco). Com 86 mil artesãos cadastrados, a Sutaco apoia esses profissionais na criação de empresas individuais, na comercialização e na exibição de peças artesanais em feiras e outros eventos. A superintendente da Sutaco, Elisabete Bacelar do Carmo, que assumiu o cargo neste ano, planeja a criação de um catálogo de artesãos do estado e de um selo paulista, além de ações para ampliar a inserção do artesanato em cadeias de produção da economia criativa, como na moda e na gastronomia.

A economia criativa tem valor econômico enorme e capacidade para dinamizar setores tradicionais da economia. A professora Ana Carla Fonseca, que estuda e orienta trabalhos de pós-graduação em economia criativa, defende que nesse sentido a moda é pragmática. “A moda brasileira é pujante, criativa, inovadora. A partir do núcleo da criação, impulsiona outros setores da cadeia a inovar também. É como um efeito dominó, que chega até o campo, por exemplo, com o desenvolvimento pela Embrapa de variedades de algodão colorido”, afirma.“Não significa que todos os integrantes dessas cadeias – puxadas por segmentos inovadores como a moda ou a arquitetura verde – vão inovar. Mas, com certeza, aqueles que querem inovar têm mais chances de se dar bem por ter com quem agregar”, completa.

O governo estadual, em outra frente, mantém uma agência de desenvolvimento voltada ao apoio às pequenas e médias empresas. A Desenvolve SP oferece crédito sustentável para financiar projetos de expansão, modernização e inovação, inclusive de setores da economia  criativa.

Em um cenário onde os produtos são cada vez mais parecidos, a criatividade passou a ser vista como um ativo importante dentro da lógica de agregação de valor, consolidando-se como um dos fatores determinantes para aumentar a vantagem competitiva das empresas. “Temos focado nossos esforços para incentivar a inovação e a competitividade das empresas paulistas. A economia criativa é, sem dúvida, um dos pilares fundamentais para o aperfeiçoamento de nossa matriz econômica, e a Desenvolve SP está pronta para apoiá-la”, diz Milton Santos, presidente da agência.

Atenta a esse movimento, a agência Desenvolve SP mantém um portal em que a economia criativa está entre os temas centrais. O Canal do Empresário (canaldoempresario.com.br) oferece conteúdo exclusivo, com páginas especiais e materiais especializados e multimídias, apresentados em diversas plataformas, como notícias, entrevistas, vídeos tutoriais, pesquisas, etc, além de apontar aos empreendedores oportunidades nos setores que compõem a economia criativa.


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