Estratégias com Big Data podem alavancar negócios no varejo


17/12/2014 - Portal da FECOMERCIO SP

Uso adequado do grande volume de dados armazenados pode otimizar vendas, segmentar públicos e atingir consumidores alvo, por exemplo

Conhecer o perfil do cliente, organizar a disposição dos produtos de acordo com a preferência do comprador e oferecer promoções conforme o interesse de cada consumidor não são mais estratégias restritas ao comércio eletrônico. É realidade, também, das lojas físicas. Isso porque, com o advento do Big Data, que é um grande volume de dados e informações armazenados, as empresas têm mais condições de conhecer seu público-alvo, desenvolver soluções personalizadas e otimizar a operação interna.

Segundo a pesquisa internacional da GE, Industrial Internet Insights for 2015, 89% das empresas consultadas definem o Big Data como crucial para a transformação digital dos negócios, além de 82% enxergarem na tecnologia uma fonte relevante de valor para as companhias.

No Brasil, a percepção dos empresários não é muito diferente, mas o estágio de execução de ações nesse sentido está um pouco atrás, como sinaliza CEO da BigData Corp, Thoran Rodrigues. “O mercado brasileiro está na fase de descoberta do conceito de Big Data. Todo mundo acredita que irá resolver todos os problemas, coloca-se em um nível de expectativa muito elevado, sem a noção real do que se pode solucionar. Acho que estamos em um momento de transição em que as pessoas estão começando a aprender as aplicações e limitações”, avalia.

De acordo com o executivo para varejo da consultoria da IBM Brasil, Alejandro Padron, há demanda nacional. “Existe um forte interesse dos executivos para saber como trabalhar com Big Data e como traduzir isso para dentro do negócio. Estamos vendo a mesma evolução de demanda que vemos hoje na Europa e nos Estados Unidos. A maioria dos executivos de negócios, não só do varejo, estão cada vez mais preocupados sobre como usar o volume enorme de dados que, nos passado, era anotado na caderneta. Esse tema deixou de ser um assunto exclusivo da área de tecnologia para ser também de negócios”, avalia.

Segundo o executivo da IBM Brasil, o varejo aparece como terceiro principal cliente da companhia no quesito Big Data, ficando atrás apenas dos bancos e das empresas de telecomunicações. “Todo setor que tem muito cliente possui o desafio de personalizar o atendimento ao consumidor”, justifica.

O bom uso do Big Data
Saber usar esse grande volume de dados é a principal premissa para que o investimento seja bem sucedido. De acordo com Thoran Rodrigues, é preciso saber tirar o valor dessas informações. “Muitas vezes a empresa quer usar a tecnologia apenas para dizer que está usando, sem necessariamente ser o adequado ao problema que se quer resolver. Essa talvez seja a primeira barreira que é preciso vencer”, avalia.

Para isso, os especialistas recomendam identificar quais problemas e entraves prejudicam o desenvolvimento do negócio para verificar, então, se a extração de soluções a partir dos dados armazenados é o melhor caminho.

Opções de uso
Para os varejistas interessados em investir na tecnologia, há uma infinidade de possibilidades, como explica Thoran Rodrigues. “É possível fazer, por exemplo, uma análise do comportamento do cliente dentro da loja com sistemas de câmeras, identificando onde os consumidores passam, onde gastam mais tempo, quais produtos pegam e por quanto tempo ficam com os itens nas mãos. O comerciante também pode pegar a base de clientes para tentar descobrir mais informações sobre essas pessoas para segmentar melhor o público, checar quem compra mais e com que frequência. É preciso enxergar isso como um investimento, com o objetivo de entender melhor o cliente, melhorar as vendas e aumentar a fidelidade do comprador”, exemplifica.

Para alcançar os objetivos definidos, o varejista pode contratar diversos tipos de serviço, como coleta de informações dos clientes para acessar os dados conforme a estratégia; informação qualificada sobre o consumidor; processos de análise automática dos grandes volumes de dados para extrair os padrões dentro da base armazenada; aquisição da estrutura para captação dos dados; consultoria de desenvolvimento e implantação da estratégia, entre outros.

Para escolher a melhor opção, no entanto, é preciso considerar se de fato investir na tecnologia é o caminho mais adequado e, principalmente, ter o olhar do consumidor, sugere Padron, da IBM. “É preciso repensar o negócio focado no cliente”, afirma.

Fonte: http://www.fecomercio.com.br/NoticiaArtigo/Artigo/12154


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