Empreendedorismo de sobrevivência: veja caminhos para montar e gerir um negócio


29/11/2016 - Site Diário Catarinense

Abrir a própria empresa pode parecer inalcançável para a maior parte da população, acostumada à labuta como funcionário da iniciativa privada ou do setor público. Entretanto, a alta no número de demissões — neste ano, já foram fechadas 751 mil vagas formais no Brasil, conforme números oficiais do Ministério do Trabalho — tem empurrado muita gente para o caminho do empreendedorismo, trazendo desafios quanto à formalização e à gestão do negócio.

Uma das alternativas mais comuns para tocar um negócio dentro da lei é se tornar Microempreendedor Individual (MEI), uma forma simplificada e barata de formalização. O MEI trabalha por conta própria e pode ter um empregado contratado que receba o salário mínimo (R$ 880) ou o piso da categoria. Para se enquadrar, é necessário faturar, no máximo, até R$ 60 mil por ano (equivalente a R$ 5 mil por mês) e não ter participação em outra empresa como sócio ou titular.

No primeiro semestre, o aumento nos registros de MEI foi de 9,7%, enquanto os negócios enquadrados como microempresas e outras formas jurídicas caíram de 9% a 13%, dependendo do porte. Os dados são da Boa Vista SCPC.

Conforme o consultor de empresas Claudio Nasajon, o principal ponto positivo do MEI está na tranquilidade de atuar regularmente, já que muitos autônomos passam anos na informalidade. Há vantagem previdenciária, com valor do benefício de um salário mínimo na aposentadoria, além de licença-maternidade, auxílio-doença, seguro por acidente de trabalho, acesso a financiamento e participação em licitação. O microempreendedor individual também tem à disposição linhas de crédito específicas de bancos públicos.

Entretanto, consultores alertam que a formalização é apenas um dos passos para que uma empresa dê certo. Fábio Souza, gerente regional e sócio da De Bernt, que atua na consultoria de carreiras e negócios, afirma que os novos empreendedores precisam avaliar bem o mercado e os concorrentes e desenvolver o autoconhecimento, para conhecer suas potencialidades e a necessidade de formação.

— Além de reconhecer as competências necessárias, o profissional não deve agir impulsivamente, investindo suas reservas em um negócio que, depois, pode dar errado — afirma.

TIRE SUAS DÚVIDAS

POR QUE SER MEI

> Registro facilitado no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que ajuda na abertura de conta bancária, o pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais.

> Todo o processo de formalização é gratuito, ou seja, o empreendedor se formaliza sem gastar um centavo. Veja mais no site http://migre.me/vB7Ps.

> Enquadramento no Simples Nacional, ficando isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL). Paga apenas o valor fixo mensal de R$ 45 (comércio ou indústria), R$ 49 (prestação de serviços) ou R$ 50 (comércio e serviços), que será destinado à Previdência Social e ao ICMS ou ao ISS. Essas quantias serão atualizadas anualmente, de acordo com o salário mínimo.

> A legislação permite a união de MEIs para compras em conjunto por intermédio da formação de consórcio de fins específicos.

> O MEI tem acesso à assessoria contábil gratuita para a realização da inscrição ao Simei e à primeira declaração anual simplificada da microempresa individual (DASN _ Simei), por meio de uma rede de empresas contábeis optantes pelo Simples Nacional. Para identificar a rede Escritórios de Contabilidade do seu município, deve-se acessar o site da Fenacon (fenacon.org.br).

AS OBRIGAÇÕES

> Todo mês, até o dia 20, o Microempreendedor Individual deve preencher (pode ser manualmente) o Relatório Mensal das Receitas que obteve no mês anterior.

> Deve anexar ao Relatório as notas fiscais de compras de produtos e de serviços, e as notas que emitir.

> Todos os anos, o MEI deve declarar o valor do faturamento do ano anterior.

> Preencher a Guia do FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP) até o dia 7 de cada mês, por um sistema chamado Conectividade Social da Caixa Econômica Federal.

DICAS PARA SER UM BOM EMPREENDEDOR

> Desenvolver características fundamentais como delegar tarefas, ter metas claras, planejar, monitorar e persistir.

> Buscar conhecimento: muitos profissionais acreditam que saber apenas o básico pode ser a chave de sucesso do negócio e se sentem pouco à vontade para pedir ajuda de um especialista do ramo. Nesses casos, o risco de o negócio se sair mal cresce muito.

> Todo empreendedor erra e corrige a falha. Saber identificá-lo e planejar estratégias para dar a volta por cima são indispensáveis no mundo dos negócios.

> Conheça a sua área: o empreendedor deve ter uma visão ampla sobre todo o mercado em si, inclusive fornecedores e concorrentes.

> O empresário não tem que operar todas as áreas, mas precisa saber a importância de cada uma e contratar pessoas competentes para operá-las.

> Para levar o projeto adiante, é preciso pesquisar profundamente a ideia, buscando informações sobre gestão e processos daquele negócio. Pesquisa de mercado é muito importante.

Fonte: http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2016/11/empreendedorismo-de-sobrevivencia-veja-caminhos-para-montar-e-gerir-um-negocio-8519133.html


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