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Criatividade é o $ da questão


24 Jun 2016

Por Revista DesenvolveSP - edição 4

Especialistas em economia criativa decretam: inovação gera oportunidades de negócios e pode ser a boia salva-vidas para sua empresa

Já não é de agora que se fala em economia criativa, mas é em momentos como o que atravessamos hoje, quando a economia não vai bem, que devemos colocá-la em prática, ou seja, precisamos olhar para dentro e inovar para não sucumbir. A economia deixou de ser pautada pelo que nos levou à Revolução Industrial, no século passado, e passou a guiar-se pela tecnologia e pela criatividade. Uma revolução silenciosa que inspira empresas, governos e instituições de ensino já está em andamento.

O conceito de economia criativa nasceu na Austrália no início dos anos 1990 e ganhou impulso quando o governo inglês, no fim da mesma década, promoveu de forma estruturada um plano de desenvolvimento estratégico para 13 setores, áreas em que a qualidade e o valor do trabalho dependem do talento das pessoas que o fazem, e não do tamanho da empresa e da quantidade de capital que ela possui. Em muitas situações não é necessário um grande capital inicial, na economia criativa é o potencial humano que ganha força e relevância e apresenta uma grande oportunidade de mercado. As empresas do setor já movimentam R$ 381 bilhões, segundo mapeamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Na última edição do Knowlege Exchange Sessions, evento realizado em São Paulo no fim de 2015, o chairman da Creative England e um dos maiores especialistas em economia criativa, John Newbigin, explicou sobre o contexto que nos trouxe à era da Economia Criativa. Newbigin, que é consultor internacional de políticas públicas voltadas para a criatividade, defende a tese de que o capital intelectual se torna cada vez mais importante para as organizações. “Hoje o pensamento converge para a essência da nova economia, e pensar é um ativo nosso, do ser humano”, diz. Durante o evento Newbigin expôs vários exemplos de mudanças entre a velha e a nova economia, a criativa. Para ele, na economia antiga, a quantidade definia a grandeza (big is beautiful); na nova, o pequeno é mais inteligente (small is clever). “Antes, falhar custava caro e era considerado um desastre. Hoje, falhar faz parte do processo e pode ser uma lição valiosa de aprendizado”, afirma o consultor.

O especialista definiu as sete bases da economia criativa: a força das cidades, o poder das universidades, a propriedade intelectual, dados, banda larga, talento e criatividade a serviço dos governos.

O engenheiro eletrônico Julio Cesar Lucchi, coordenador do Centro de Educação Continuada do Instituto Mauá de Tecnologia, diz que a criatividade faz parte da solução. “Se ela não for transformada em inovação, não gera riqueza e em nada adianta para as empresas. Eu diria que a saída é inovar, e para inovar é preciso ser criativo.” Para que o Brasil avance é preciso muita coisa. “O atual cenário econômico faz com que as empresas se preocupem prioritariamente com o dia a dia, e as iniciativas criativas, que podem gerar inovação, acabam ficando em segundo plano. É importante que os empresários se preparem, entendam que sem inovação vão ver seu negócio desaparecer, ser trocado por outro; é necessário que se crie uma postura empresarial inovadora, e isso pode ser desenvolvido”, explica o professor Lucchi.

E como inovar? “O mundo está repleto de exemplos do que poderia ser classificado como improvável. Hoje você procura um hotel no Trivago, mas a realidade é que a empresa não detém um leito sequer, da mesma forma que o Uber não possui nenhum carro. Ser criativo e inovar faz com que um negócio milionário se viabilize do improvável em qualquer segmento”, conta Lucchi.

E se você acha que não tem recursos para tornar sua empresa inovadora, vai aí a ideia do professor: “Toda corporação tem os ingredientes da inovação: o ‘nerd’, que sabe resolver qualquer problema, o ‘cara das ideias’ e também o bom gestor. É preciso que se transforme esse potencial criativo em bons negócios, é preciso inovar, e isso requer preparação, vontade institucional e ‘pensar fora da caixa’. Muitas vezes as empresas acreditam que ações puramente internas levam a isso, mas é necessária uma leitura do mundo, que não pode ser só o mundo interno, é preciso qualificar para a inovação.”

Fonte: Revista DesenvolveSP - edição 4, p. 17