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Bate papo com especialista - John Newbigin


27 Jun 2016

Por Revista DesenvolveSP - edição 4

John Newbigin é empreendedor cultural, escritor, e chairman da Creative England, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao crescimento das indústrias criativas. Como assessor especial do ministro da Cultura do Reino Unido, Newbigin foi responsável pelo desenvolvimento das primeiras políticas públicas do governo inglês para as indústrias criativas na década de 1990.

A economia criativa pode ser uma boa escolha em um período de crise?

John Newbigin - Sim. Fica evidente em muitos países que a indústria criativa é um dos setores de crescimento mais rápido da economia global, e isso acontece em todas as regiões do mundo. A s indústrias criativas ajudam a impulsionar a inovação e novas formas de pensar em todas as partes da economia, para que elas encontrem novas formas de funcionamento. Sabemos que, por vezes, uma crise ou uma dificuldade são a melhor forma de nos fazer pensar criativamente. Temos de encontrar novas formas de trabalhar. Além disso, como a maioria das indústrias criativas é de trabalho intensivo e não requer grandes despesas de capital, elas podem ajudar a conduzir uma economia para sair da crise por meio da geração de empregos rapidamente. No Reino Unido, as indústrias criativas estão gerando novos postos de trabalho duas vezes mais rápido que o resto da economia.

Como podemos melhorar a economia criativa no Brasil?

JN - Nossa experiência no Reino Unido sugere que há alguns elementos essenciais para ajudar a economia criativa a crescer: 1º - Um sistema de educação que incentive os jovens a pensar criativamente – e isso significa uma educação que engloba as artes e a cultura. 2º - É necessário que haja bons dados que meçam o valor e as necessidades das indústrias criativas. Isso ajuda os governos na formulação de políticas e permite que investidores coloquem seu dinheiro em novos negócios com novas ideias. 3º - As cidades e as autoridades municipais podem ajudar no crescimento das indústrias criativas, garantindo a disponibilidade de espaço de trabalho e exposição e comercialização. Muitas das iniciativas mais úteis ocorrem nas cidades, e não em âmbito nacional. 4º - As universidades têm papel crucial a desempenhar para ajudar os empreendedores criativos a adquirir as habilidades que eles precisam para ter sucesso. 5º - Boa infraestrutura digital é essencial para o sucesso de muitas empresas criativas. 6º - Por último, o governo deve ajudar as pequenas empresas criativas independentes a ter acesso aos mercados internacionais, ajudando-os com informações de mercado e com a promoção de produtos e serviços brasileiros nos mercados internacionais.

Qualquer empresa pode ser criativa? JN - Sim, mas é preciso repensar tudo o que faz. Steve Jobs, que criou a Apple, costumava dizer: “Continue com fome, continue bobo”. Em outras palavras, você deve estar sempre pronto para aprender algo novo e não ficar satisfeito com o que você já tem – você sempre pode reinventar sua empresa, a forma como trabalha, a forma como trata seus funcionários e a forma como respeita seus clientes.

É possível ser criativo nos setores tradicionais da economia? JN - Sim, claro. Muitos setores tradicionais podem ser altamente criativos na forma como planejam e entregam seus produtos ou serviços. Em países como a Índia, existem alguns grandes programas para ajudar as comunidades com habilidades artesanais tradicionais a encontrar maneiras de tornarem seus produtos mais relevantes para os consumidores de hoje e para usar as tecnologias modernas para se promover e alcançar novos clientes. Eles estão sendo verdadeiramente criativos.

Fonte: Revista DesenvolveSP - edição 4, p.19